Bem-Estar Subjetivo

Por Carla Mendes

* Este documento é uma compilação de diferentes artigos sobre o Bem-estar subjetivo.

A 2ª Revolução da Saúde teve como princípios centrais: defender uma perspetiva ecológica da saúde, focando a saúde em detrimento da doença. Assim sendo, nascem os conceitos de Promoção da Saúde e Estilo de Vida.

A OMS expandiu o conceito de Saúde, sendo que um indivíduo/grupo pode satisfazer as suas necessidades e modificar  ou lidar com o meio envolvente.

A Saúde é uma dimensão da nossa qualidade de vida. Assim sendo, surge o conceito de bem-estar associado ao conceito de saúde e que se generalizou à saúde mental.

“O Modelo Biopsicossocial aplicado à saúde surge como uma abordagem integral e holística, necessária para ultrapassar o reducionismo da perspetiva biomédica na promoção da saúde. Os diversos fatores macrossociais são independentes das caraterísticas biológicas e individuais, mas provam o papel determinante dos contextos na evolução de muitas doenças.” (Galinha & Ribeiro,2005)

A Psicologia passou a interessar-se pelos aspetos positivos da Saúde Mental, tornando-se consensual de que ela está para além da ausência de perturbações mentais.

A Saúde Mental inclui dimensões positivas como:

  • o Bem-Estar Subjetivo (BES)
  • a Perceção de auto-eficácia
  • a Autonomia
  • a Competência
  • a Auto-atualização do potencial intelectual e emocional.

O BES é um conceito-chave na Psicologia Positiva e uma dimensão crucial da saúde mental que permitiu construir medidas que possibilitam uma avaliação de indicadores de saúde mental através de variáveis como a Satisfação com a Vida, a Felicidade, o Afeto Positivo e o Afeto Negativo.

Distinção entre BEM-ESTAR PSICOLÓGICO (BEP) & BEM-ESTAR SUBJETIVO

O BEP integra os conceitos de auto-aceitação, autonomia, controlo sobre o meio, relações positivas, propósito na vida e desenvolvimento pessoal, enquanto que o BES inclui as respostas emocionais das pessoas, domínios de satisfação e julgamentos globais de satisfação com a vida.

NASCIMENTO DA PSICOLOGIA POSITIVA

Selligman veio impulsionar a Psicologia Positiva e definiu como objetivo da APA: procurar o que ativamente faz as pessoas sentirem-se preenchidas, envolvidas e significativamente felizes. Como tal, a investigação inclui como um dos conceitos centrais o BES atendendo à Felicidade, Optimismo, Emoções Positivas e Traços de Personalidade mais saudáveis.

Após algumas discussões sobre o BES, chegou-se a um consenso na sua definição e sabe-se que contém uma DIMENSÃO COGNITIVA (em que existe um juízo avaliativo em termos de satisfação com a vida – global ou específico) e uma DIMENSÃO EMOCIONAL POSITIVA E NEGATIVA (expressa em termos globais de felicidade ou em termos específicos de emoções).

O BES enquanto campo de estudo, revela 3 caraterísticas importantes, tais como:

    1. cobre todo o espetro do BE, sendo as diferenças individuais muito importantes nos níveis de Bem-Estar Positivo. Pretende estudar-se os fatores que diferenciam as pessoas ligeiramente, moderadamente e extremamente felizes;
    2. o BES é medido a partir da perspetiva do próprio indivíduo de acordo com as suas experiências internas;
    3. foca os estados de BES em que as emoções são avaliadas ao longo do tempo.

Com o Bem-Estar Subjetivo espera-se que as pessoas vivam as suas vidas de modo a que elas se sintam preenchidas, segundo os seus próprios critérios.

Be Positive 😉

Fontes da pesquisa:

– Galinha, I. & Ribeiro, J. (2005). História e evolução do conceito de bem-estar subjectivo. Psicologia: Saúde & Doenças, 6(2), 203-214. https://www.researchgate.net/publication/37650194_Historia_e_Evolucao_do_Conceito_de_Bem-Estar_Subjectivo

– Seligman, M. E. P. (2011). Florescer – uma nova e visionária interpretação da felicidade e do bem-estar. Rio de Janeiro: Objetiva.

– Seligman, M. E. P. & Csikszentmihalyi, M. (2001). Positive psychology: an introduction. American Psychologist.

– Siqueira, M, & Padovam, V. (2008). Bases teóricas de bem-estar subjetivo, bem-estar psicológico e bem-estar no trabalho. Psicologia: Teoria e Pesquisa24(2), 201-209. https://dx.doi.org/10.1590/S0102-37722008000200010

Deixe uma resposta

Close Menu